quinta-feira, 7 de abril de 2016

Respondendo perguntas implícitas.

Sempre me perguntam assuntos complexos. Não sei se é uma coisa natural para todo mundo, mas escuto sempre:
Por que você não compra um carro, já que é mais confortável e mais seguro?
Como você consegue morar sozinho?
Por que estudar sociologia, já que isso não dará uma boa renda no futuro?
Para responder essas intrigantes perguntas com perfeição teria que recorrer a muitas experiências pessoais que acredito não valham a pena serem expostas, mas posso tentar responder de uma maneira menos complexa, embora Edgar Morin alerte que isso não é mais possível.
Em primeiro lugar, nesse texto, posto que não seria capaz de lembra das minhas primeiras conclusões sobre a vida, cada sujeito aprimora suas decisões a partir de suas experiências, principalmente de como ele encara o que não lhe é permitido. Então, acredito que o que ajuda a explicar o gosto pela motocicleta, seriam as impossibilidades de locomoção: já que não há uma estrutura de locomoção que me atenda, então vou providenciar outro, no limite das minhas possibilidades financeiras. Acontece que quando subi numa motocicleta a primeira vez, foi integração total homem-máquina. Isso eu não poderia explicar mesmo que tentasse.
Outro ponto seria que minha noção de conforto é um pouco diversa: por exemplo, prefiro sol a condicionadores de ar. Vai entender...
Quanto a morar só, tem a ver com liberdade mas, principalmente, tem a ver com incredulidade nas convenções. Explico: não acredito que "ser social é se obrigar a aguentar as neuras de outro ser". Eu me relaciono bem com outros seres, independente da configuração, pois olho para a camada mais primitiva. Mas simplesmente acredito que é possível ser feliz sozinho. É a única forma verdadeira de felicidade: a de ser feliz consigo.
Quanto a sociologia eu diria que foi a forma complexa, desmistificada e por vezes encoberta da sociedade que me atraiu. Não para desmascarar o outro, mas para entender a mim mesmo. E entender como o mundo se tornou tão complexo.

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