quinta-feira, 5 de março de 2009

Recife, 04 de março de 2009 23h16min.

Estimado Pai,


Sinto que se não me utilizar deste momento para expressar meus sentimentos, não irei muito longe nessa vida.
Não que eu não tenha sonhos, perspectivas, e não vislumbre meu futuro com interesse e ambição, longe disso, mas se não fosse seu filho, não poderia ser outra coisa.
Até pouco tempo, achei que nunca fosse me encontrar. Achei que seria para sempre alguém no qual há uma lacuna. E que essa lacuna jamais poderia ser preenchida.
Era insuportável. Como alguém que perde um membro e ainda pode senti-lo mas jamais o verá no lugar novamente. Como se uma pá cavasse e retirasse algo em mim, e eu ainda pudesse sentir o pedaço tirado mas jamais pudesse vê-lo ou colocá-lo no lugar novamente.
Agora, anos depois de te conhecer e de te reconhecer, tenho certeza de que o mundo que eu vejo agora é bem diferente do mundo que eu via. É estanho.
Jamais poderei ser criança novamente para dormir embalado por canções de ninar na freqüência de sua voz forte e doce.
Nem te dar a mão para atravessar a rua, a não ser que um de nós realmente não esteja mais em condições de fazer isso sozinho.
Contento-me em ficar ao seu lado a partir de agora, e que fazendo parte da sua vida, consiga melhorar a minha.
Estou honrado por ter te conhecido, por ser seu amigo, por fazer parte de seu mundo.
Agora não consigo mais imaginar a vida sem sua presença, além do mais que, com você perto de mim me sinto realmente vivo.
Perdôo todos aqueles que querem sentir o que eu sinto, todos os que não querem que eu sinta o que sinto, e todos os que sentem sem querer sentir o que eu sinto. São pobres, pai, apenas pobres.
E se de repente eu acordar e ver que seu carinho faz parte apenas de mais um sonho, desses que sonhamos descontroladamente e nem sequer conseguimos lembrá-lo ordenadamente, a fim de confidenciá-lo a alguém em quem confiamos, valeu a pena ter te amado em sonho.
Dedicado a Antonio Aquino.

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