quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A paixão na corda bamba

A ciência tenta, ao longo dos séculos, explicar os mistérios da vida. Questiona-se porque estamos aqui, de onde viemos, se viemos, para onde vamos. A verdade é que tambem nos perguntamos essas coisas as vezes. E essas perguntas podem não ter respostas simples ou que caibam no nosso entendimento.
As livrarias estao cheias de Best-Sellers com fórmulas mágicas para se viver melhor, mas de repente, a vida pode mesmo ser uma coincidência biológica e estejamos criando sofrimentos adicionais em busca de sua explicação. Ou pode mesmo ter um Divino, uma Força Criadora e maior que tudo o que se pode pensar, que controla tudo e que rege o universo com impressionante maestria.
Mas, nós cidadãos comuns, trabalhadores, estudantes, pessoas normais, o brasileiro médio, sem teorias e sem pretensões de explicar nenhum fenômeno de alcance universal, como podemos fazer para nos encaixar nesse mundo vasto e complexo, nessa vida cada dia mais automática, de uma violência cada vez mais presente? De que forma um dos seres viventes, inseridos nessa complexa rede que envolve cadeias alimentares, raciocínio, construções e destruições de grande porte, pode organizar sua estadia consciente (se poderemos assim nos referir a vida e a auto percepção do contexto em volta)?
O fato é que talvez essa resposta seja mais ligada a cultura e a forma de pensar de cada povo, cada costume e sua influência nas decisões pessoais, muito embora o vazio habite em cada um de nós, na mesma medida.
Onde quero chegar depois de tantas voltas? Pretendo ilustrar o fato de que não importa onde se encontre o ser humano ele sempre será carente de emoções, e sua incompletude só será um pouco reduzida se, e somente se estiver em grupo. Sozinho o vazio aumenta e se a mente não estiver preparada pode sofrer serios danos.
Então, deixando de lado as teorias, podemos dizer que tudo o que nos conforta deve realmente ser levando em consideração. Devemos buscar em nós mesmos, ações que causem alívio as nossas dores, transformando a aproveitando todo o tempo que nos é cedido nessa breve passagem pelo planeta.
E o que isso tem a ver com Motocicleta e Motociclismo? Tudo. Motociclistas não são simples caçadores de emoções, mas usam a motocicleta como um instrumento proporcionador de grandes emoções. Tudo na Motocicleta é umdesafio: o andar sobre apenas duas rodas, movimentar-se contra o vento, usar o próprio peso para manter-se rente ao solo durante uma curva...
Não desafiamos a morte como se pensa, muito embora ela pareça querer nos encontrar devido a facilidade com que os acidentes fatais acontecem. Buscamos a descarga de adrenalina que o pilotar por se só oferece...
Conduzir bem uma Motocicleta é uma arte. Arte esta que não perdoa os imprudentes e desqualifcados. Também não perdoa aos que não monitoram o seu veículo com a mesma dedicação do jóquei pelo seu cavalo. É impiedosa com os utilizam substâncias redutoras do reflexo.
Para sentir prazer em sua máquina, são necessários muitos pormenores. E quem sente prazer ao pilotar, quem pilota não por necessidade mas porque ao fazê-lo essa emoção o preenche, entende suas metacompetências.
Para quem tem aptidão, conduzir uma Motocicleta traz conforto e mostra que o viver existe para ser aproveitado. Essas pessoas dão mais valor a vida. E digo com toda a certeza: Quem vive e não encontra uma paixão, nunca vai entender realmente o que é viver. Vai passar pelo tempo-espaço apenas.
“Eu ando em Bando”

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